Símbolo de riqueza e poder no século 17, o açúcar, que começou a ser produzido no Brasil há 500 anos, é cada vez mais demandado por países que estão ampliando o poder de compra e o consumo de alimentos processados. "A maior expansão do consumo per capita deverá ocorrer em regiões como a Ásia, onde a renda cresce rapidamente", relata o Coordenador de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Luís Job. Nesse cenário, o País, que já é o maior produtor mundial, tem aumentado sua presença no mercado internacional da commodity. Ano passado, a quebra de safra na Índia e a maior procura pelo produto resultou na produção brasileira recorde de 33 milhões de toneladas, 20% do volume mundial, um crescimento de 10,5% em relação ao ano anterior.
Com a reformulação da estrutura do Mapa há 11 anos, foi criada, em 2005, a Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAe), com setor específico para o tema, o Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia (DCAA), que representa o Mapa em acordos internacionais para cooperação na produção de cana, açúcar e etanol.
"Nosso trabalho de acompanhamento da produção brasileira de açúcar é referência doméstica e internacional, pois instituições públicas e privadas usam os dados quinzenalmente publicados no site. Também representamos o Mapa na Organização Internacional do Açúcar (OIA), que congrega os maiores países produtores, consumidores, importadores e exportadores de açúcar", observa o coordenador. Ele reforça que o açúcar já é uma das commodities mais tradicionais e o trabalho do Mapa é fundamentalmente de monitorar, tanto a produção, quanto os mercados.
Números - Segundo Luís Job, a alta da produção de açúcar, em 2009, deve-se ao declínio da produção em diversos países e à redução significativa nos estoques mundiais para compensar o déficit da safra indiana, o que alavanca a commodity brasileira e mantém o preço do açúcar elevado no mercado internacional.
Países como Índia, Estados Unidos, Tailândia, China e México deverão apresentar pequena recuperação na produção canavieira, além de usar seus próprios estoques. "No mercado futuro, a tendência é de queda gradativa no preço até 2011. O açúcar bruto deverá passar dos atuais US$ 480/tonelada para US$ 390/tonelada e o refinado, de US$ 540/tonelada para US$ 490/tonelada", observa Job. Mantida essa tendência de preços altos no mercado internacional, a produção de açúcar pode crescer em detrimento do álcool nas próximas duas safras.
O setor sucroenergético reúne as indústrias mais dinâmicas da economia brasileira. É um dos principais geradores de emprego e renda no País. Por ser uma commodity, o preço do açúcar é formado no mercado externo (bolsas de Nova York e de Londres) e o interno acompanha a paridade de exportação. O produto é um dos principais da pauta de exportação brasileira, com receita de mais de US$ 8,2 bilhões.
O contrato futuro de açúcar, negociado na Bolsa de Mercadorias de Nova Iorque (ICE Futures), é referência primária dos preços não controlados do açúcar bruto no mundo. Outro valor de referência é o açúcar refinado negociado na Bolsa de Mercadorias de Londres (Liffe). No Brasil, são formados de acordo com os princípios do livre mercado, sendo que o principal é o índice da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que influencia diretamente nos preços no mercado internacional.
Em 2010, a produção de açúcar no Brasil deve alcançar 38,7 milhões de toneladas, segundo números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A região Centro-Sul deve produzir 33,7 milhões de toneladas e a região Norte/Nordeste, 4,9 milhões de toneladas.